Hoje voo alto, firme e forte. No solo meu olhar busca o longinquo, o mais distante possível, o mais audaz que o coração permitir. Calejado, porem não fraco, toco a vida, como boa música, caminho a passos decididos e confiantes. Sozinho num aeroporto qualquer, chego a conclusão de que o instante atual, nada mais é do que um reflexo da minha vida, do meu dia a dia. Olho para os lados, lojas fechadas, vitrines com meu reflexo, pessoas desconhecidas, trabalhadores doidos para ir embora descansar. Desta vez meu companheiro é o notebook, ao contrário de outras noites, nas quais derramei meu rancos, ódio, resignação e angustia em meu computador pessoal. Essas poucas 12 horas de ociosidade que me restam, mostram um eu conformado, porem não menos triste, mas sigo em frente. Para onde? Só o tempo e minhas decisões poderão dizer. Perdi quase tudo que construí, deixei escapar por dentre os dedos. Eu lutei e tentei sustentar, não tive ajuda, ninguém resistiu, ninguém estendeu a mão, restou-me, a mim mesmo, meu notebook, e meus sentimentos.
Desistir não se encaixa a meu perfil, sou decidido chato e teimoso. Persistente nos meus sonhos, faço pelos outros o que gostaria que fizessem por mim. E é por essas e outros que vivo quebrando a cara. Definitivamente as pessoas não tem sentimento de reciprocidade, de gratidão ou qualquer outra coisa do gênero. Foi legal? Foi bom? Então é isso ae, se falamo, certo? Ceeeerto mano! Mas aqui dentro, doí. Feriu. Complicado, porem, não insolúvel, muito pelo contrário, eu diria, que totalmente ministrável, nem que seja por outras vias que não a garganta, vias estas que possam ser mais doloridas ou possam abrir feridas profundas e hemofílicas (??). Nada que um punhal, atos, seringas, palavras, balas de chumbo e ações não possam resolver. Inclusive, manda bala! Ter vinte e poucos anos serviu para alguma coisa. Serviu para entender um pouco melhor o ser humano e não ser mais surpreendido por decisões inesperadas. Não! Não mais, hoje.
Desabafar, gritar, espernear, bah guri, cansei disso. Prefiro engolir, digerir e no outro dia, ter alguns minutos de tranquilidade e concentração no trono, o único lugar no qual sou eu mesmo, rei, o chefe. Realmente, eu espero que tudo isso que digitei acima seja verdade. Que eu realmente seja uma pessoa mais forte, que sabe superar momentos de desilusão e tristeza com facilidade. Quando o fogo toma conta de tudo, deixar tudo para trás, não olhar e começar uma nova construção. Mesmo porque, ninguém ficou gritando de dor, a não ser eu, com arranhões, queimaduras, cortes e lesões, conseguidos quando, juntos, chegamos aqui, construímos isso e, sé... humm.. então.
Por mais vazia que a nova construção pareça neste recomeço, é tudo muito superficial, é tudo muito insensível e injusto. Então.. construamos logo isso para que venha novamente à ruínas. Não? Ah, eu não quero que seja assim.. mas conformado já estou desde o inicio. Mas garanto, categoricamente, que não terei medo, não terei receio, não pensarei duas vezes antes de repetir tudo o que fiz. Não me arrependo de nada! Se soubesse que seria assim, repetiria tudo com todo o prazer. Sou pau mandado do coração, tendo como nivelador das ações, a razão. Muitas vezes não conseguimos fazer a coisa certa, mas errar faz parte do ser humano, então, que erramos sem medo de ser feliz. Fui feliz e voltarei a ser feliz, ou pelo menos, tentarei.
Sigo só nesse aeroporto, nada mais justo para um cão sem dono solitário e odiado. Vamos lá, a velha rotina, sacudir a poeira, ministrar as criticas, engolir as injurias, digerir as pancadas, colocar o rabinho no meio das pernas, recolher a colheirinha, e caminhar... a passos largos rumo ao horizonte, seja lá o que nos espera. Mas que saibam, fortes lá chegaremos, mais fortes do que antes, e menos fortes do que amanha.