Abaixo, texto escrito e lido por mim na minha colação de grau.
"Boa noite a todos,
Quem já assistiu a mais de uma colação de grau do Bacharelado em Ciência da Computação da Universidade Federal do Paraná deve estar esperando um texto, cheio de piadinhas que só ex-alunos, formandos e jubilandos entendem. É o momento em que parte da platéia ri, enquanto explica para os cônjuges, irmãos, pais o porque das gargalhadas. Os professores, inclusive, se escondem atrás da mesa quando chega esta parte da cerimônia, sabe-se lá se por vergonha das piadas sem graça, ou por saber que tudo é verdade.
O que não se considera é que essa seja, talvez, a tarefa mais difícil para um formando no dia da colação. Homenagear nossos outrora carrascos, os agentes da inquisição na caça dos hereges alunos pouco dedicados. Contudo, isso depende única e exclusivamente do ponto de vista de quem ficou incumbido de fazê-lo. Eu poderia vestir o chapéu da rebeldia e expressar em palavras tudo o aquilo que senti durante 70, 80% do período da graduação. Ou então, vestir o chapeuzinho colorido daquele que finge que tudo o que aconteceu por lá foi normal, é normal. E é esse que visto nesse momento, principalmente em respeito aos mestres que, merecidamente, aqui estão.
Nessa homenagem ao mestre, eu agradeço a eles por terem me ensinado grande parte daquilo que sei, inclusive, a ser autodidata, a correr atrás de tudo sozinho, a ser ao mesmo tempo, professor e aluno dos meus colegas. Agradeço por terem me moldado uma pessoa perseverante, por terem nos ensinado a não desistir no primeiro obstáculo, a persistir, pois, o que é reprovar uma, duas, três, cinco vezes, quando você pode tentar de novo no próximo semestre? Em nome dos meus colegas, sou grato por nos conduzirem a humildade e nos mostrarem que mesmo todo estudo, ainda é pouco. Que saber programar, não implica necessariamente em ser aprovado em Algoritmos 1, se você não souber implementar um quadrado mágico NxN na prova final. Não quer dizer que se você ler Henessy e Patterson 4 vezes, que você vencerá o Robertão em arquitetura, não se você não souber implementar uma TLB na prova final.
Vocês nos fizeram dar muito mais valor a tudo. A este momento, e a todos os momentos em casa, com a mãe, com a esposa, com a filha, com o cachorro. Fizeram eu aprender a valorizar cada instante, cada segundo, cada tempo que eu puder ter brincando com a minha pequenina, ao simplesmente ouvindo as pessoas que amo. Tempo este, que não tive nos últimos 6 anos. Aprendi a ter paciência, e a esperar que determinado professor largasse uma disciplina, para ai sim, eu me matricular nela. Aprendi a escolher, não pela ementa, ou por afinidade pelo assunto, mas sim, por quem iria lecionar. Foi nos mostrado na prática que o vestibular seleciona mal, e eu, em particular, fui mal selecionado duas vezes.
Brincadeiras, e ironias à parte, todo sofrimento, todo suor, todas as lagrimas são hoje um troféu. Troféu este resultado de um processo de formação que vai muito além de formar profissionais para o mercado de trabalho. Mas sim, preparar homens e mulheres (por mais raras que elas sejam por aqui), de caráter, capazes de vivenciar e suportar toda e qualquer adversidade possível de acontecer. E os responsáveis por esse processo, e os detentores dos louros são vocês. Nossos mestres! Muito Obrigado."