



Apaixonado, inconformado, em busca de respostas, sejam elas pertinentes ou não. Em permanente crescimento, aprendizado e desenvolvimento. Leio mais do que como e sigo sem ter um milésimo do conhecimento que almejo um dia vislumbrar no horizonte. Me arrependo de muita coisa, inclusive das escritas aqui, mas prefiro me arrepender do que fiz, a viver angustiado por não ter tentando. As maiores dores da vida, são incertezas do passado, são perguntas não respondidas, são caminhos não trilhados.
Hoje eu ri muito. Ri porque li o principe dos sociólogos dizendo asneira por ai. Eu acho que ele acha que o povo, de duas uma, ou é muito ruim de memória, ou é muito burro ao ponto de não saber ler, pesquisar, se informar. FHC, sim, vocês quiseram privatizar o Brasil inteiro! Sim, vocês quiseram entregar o pais inteiro para a iniciativa privada. Sim, se fosse possivel você venderia a sua mãe para o Daniel Dantas! Não seja leviano! Eu sei que é dificil não ser você mesmo, mas tente, hoje dia podemos pesquisar e sabemos onde encontrar informação.
Abaixo, texto escrito e lido por mim na minha colação de grau.
Quem já assistiu a mais de uma colação de grau do Bacharelado em Ciência da Computação da Universidade Federal do Paraná deve estar esperando um texto, cheio de piadinhas que só ex-alunos, formandos e jubilandos entendem. É o momento em que parte da platéia ri, enquanto explica para os cônjuges, irmãos, pais o porque das gargalhadas. Os professores, inclusive, se escondem atrás da mesa quando chega esta parte da cerimônia, sabe-se lá se por vergonha das piadas sem graça, ou por saber que tudo é verdade.
O que não se considera é que essa seja, talvez, a tarefa mais difícil para um formando no dia da colação. Homenagear nossos outrora carrascos, os agentes da inquisição na caça dos hereges alunos pouco dedicados. Contudo, isso depende única e exclusivamente do ponto de vista de quem ficou incumbido de fazê-lo. Eu poderia vestir o chapéu da rebeldia e expressar em palavras tudo o aquilo que senti durante 70, 80% do período da graduação. Ou então, vestir o chapeuzinho colorido daquele que finge que tudo o que aconteceu por lá foi normal, é normal. E é esse que visto nesse momento, principalmente em respeito aos mestres que, merecidamente, aqui estão.
Nessa homenagem ao mestre, eu agradeço a eles por terem me ensinado grande parte daquilo que sei, inclusive, a ser autodidata, a correr atrás de tudo sozinho, a ser ao mesmo tempo, professor e aluno dos meus colegas. Agradeço por terem me moldado uma pessoa perseverante, por terem nos ensinado a não desistir no primeiro obstáculo, a persistir, pois, o que é reprovar uma, duas, três, cinco vezes, quando você pode tentar de novo no próximo semestre? Em nome dos meus colegas, sou grato por nos conduzirem a humildade e nos mostrarem que mesmo todo estudo, ainda é pouco. Que saber programar, não implica necessariamente em ser aprovado em Algoritmos 1, se você não souber implementar um quadrado mágico NxN na prova final. Não quer dizer que se você ler Henessy e Patterson 4 vezes, que você vencerá o Robertão em arquitetura, não se você não souber implementar uma TLB na prova final.
Vocês nos fizeram dar muito mais valor a tudo. A este momento, e a todos os momentos em casa, com a mãe, com a esposa, com a filha, com o cachorro. Fizeram eu aprender a valorizar cada instante, cada segundo, cada tempo que eu puder ter brincando com a minha pequenina, ao simplesmente ouvindo as pessoas que amo. Tempo este, que não tive nos últimos 6 anos. Aprendi a ter paciência, e a esperar que determinado professor largasse uma disciplina, para ai sim, eu me matricular nela. Aprendi a escolher, não pela ementa, ou por afinidade pelo assunto, mas sim, por quem iria lecionar. Foi nos mostrado na prática que o vestibular seleciona mal, e eu, em particular, fui mal selecionado duas vezes.
Brincadeiras, e ironias à parte, todo sofrimento, todo suor, todas as lagrimas são hoje um troféu. Troféu este resultado de um processo de formação que vai muito além de formar profissionais para o mercado de trabalho. Mas sim, preparar homens e mulheres (por mais raras que elas sejam por aqui), de caráter, capazes de vivenciar e suportar toda e qualquer adversidade possível de acontecer. E os responsáveis por esse processo, e os detentores dos louros são vocês. Nossos mestres! Muito Obrigado."
23/02/2010
'Nova' Telebrás beneficia cliente de Dirceu
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT) recebeu ao menos R$ 620 mil do principal grupo empresarial que será beneficiado caso a Telebrás seja reativada, como promete o governo.
O dinheiro foi pago entre 2007 e 2009 pelo empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas, companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2005, Santos comprara pelo valor simbólico de R$ 1 participação na empresa Eletronet.
Praticamente falida, a Eletronet era dona de 16.000 Ian de cabos de fibra óptica ligando 18 Estados, o que não cobria suas dividas, estimadas em R$ 800 milhões.
Após Santos contratar Dirceu, o governo decidiu usar as fibras ópticas da Eletronet para reativar a Telebrás e arcar sozinho com a caução judicial necessária para resgatar a rede, hoje em poder dos credores. Estima-se que o negócio renda ao empresário R$ 200 milhões.
Segundo Santos, o dinheiro pago a Dirceu não se destinou a lobby. O ex-ministro não quis comentar.
Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás
Petista foi contratado por ao menos R$ 620 mil por empresa beneficiada com reativação da estatal de telecomunicações. Empresa nas Ilhas Virgens Britânicas comprou por R$ 1 rede de fibras ópticas que será usada por Telebrás e pode ficar com R$ 200 mi
MARCIO AITH
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
O ex-ministro José Dirceu recebeu pelo menos R$ 620 mil do principal grupo empresarial privado que será beneficiado caso a Telebrás seja reativada, como promete o governo.
O dinheiro foi pago entre 2007 e 2009 por Nelson dos Santos, dono da Star Overseas Ventures, companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. Dirceu não quis comentar, e Santos declarou que o dinheiro pago não foi para "lobby".
Tanto a trajetória da Star Overseas quanto a decisão de Santos de contratar Dirceu, deputado cassado e réu no processo que investiga o mensalão, expõem a atuação de uma rede de interesses privados junto ao governo paralelamente ao discurso oficial do fortalecimento estatal do setor.
De sucata a ouro
Em 2005, a "offshore" de Santos comprou, por R$ 1, participação em uma empresa brasileira praticamente falida chamada Eletronet. Com a reativação da Telebrás, Santos poderá sair do negócio com cerca de R$ 200 milhões.
Constituída como estatal, no início da decada de 90, a Eletronet ganhou sócio privado em março de 1999, quando 51% de seu capital passou para a americana AES. Os 49% restantes ficaram nas mãos do governo. Em 2003, a Eletronet pediu autofalência porque seu modelo de negócio não resistiu à competição das teles privatizadas.
Resultado: o valor de seu principal ativo, uma rede de 16 mil quilômetros de cabos de fibra óptica interligando 18 Estados, não cobria as dívidas, estimadas em R$ 800 milhões.
Diante da falência, a AES vendeu sua participação para uma empresa canadense, a Contem Canada, que, por sua vez, revendeu metade desse ativo para Nelson dos Santos, da Star Overseas, transformando-o em sócio do Estado dentro da empresa falida.
A princípio, o negócio de Santos não fez sentido aos integrantes do setor. Afinal, ele pagou R$ 1 para supostamente assumir, ao lado do Estado, R$ 800 milhões em dívidas.
Em novembro de 2007, oito meses depois da contratação de Dirceu por Santos, o governo passou a fazer anúncios e a tomar decisões que transformaram a sucata falimentar da Eletronet em ouro. Isso porque, pelo plano do governo, a reativação da Telebrás deverá ser feita justamente por meio da estrutura de fibras ópticas da Eletronet.
Outro ponto que espanta os observadores desse processo é que o governo decidiu arcar sozinho, sem nenhuma contrapartida de Santos, com a caução judicial necessária para resgatar a rede de fibras ópticas, hoje em poder dos credores.
Até o momento, Santos entrou com R$ 1 na companhia e pretende sair dela com a parte boa, sem as dívidas. Advogados envolvidos nesse processo estimam que, com a recuperação da Telebrás, ele ganhe cerca de R$ 200 milhões.
Um sinal disso aparece no blog de José Dirceu: "Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet, uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas, joint venture entre a norte-americana AES e a Lightpar, uma associação de empresas elétricas da Eletrobrás".
O ex-ministro não mencionou o nome de seu cliente nem sua ligação comercial com o caso. O primeiro post de Dirceu no blog se deu no mês de sua contratação por Santos, março de 2007. O texto mais recente do ex-ministro sobre o assunto saiu no jornal "Brasil Econômico", do qual é colunista, em 4 de fevereiro passado.
O presidente Lula manifestou-se publicamente sobre o caso em discurso no Rio de Janeiro, em julho de 2009: "Nós estamos brigando há cinco anos para tomar conta da Eletronet, que é uma empresa pública que foi privatizada, que faliu, e que estamos querendo pegar de volta", disse na ocasião.
Lula não mencionou que, para isso, terá de entrar em acordo com as sócias privadas da Eletronet, entre elas a Star Overseas, de Nelson dos Santos, que contratou os serviços de Dirceu.
Enquanto o governo não define de que forma a Eletronet será utilizada pela Telebrás, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) conduz uma investigação para apurar se investidores tiveram acesso a informações privilegiadas.
Como a Folha revelou, entre 31 de dezembro de 2002 e 8 de fevereiro de 2010, as ações da Telebrás foram as que mais subiram, 35.000%, contando juros e dividendos, segundo a consultoria Economática.
Nota Pública sobre retomada de posse da rede de fibras ópticas pela Eletrobrás
A rede de fibras ópticas é de propriedade das empresas do sistema Eletrobrás e foi operada pela massa falida da Eletronet.
Data da publicação: 23/02/2010
Em atenção às notícias "Nova Telebrás beneficia cliente de Dirceu" e "Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás", veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo na capa e página B1, com circulação no dia 23 de fevereiro, esclarece a Advocacia-Geral da União:
1) A União obteve, em reclamação apresentada pela AGU ao Tribunal Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em dezembro de 2009, a retomada da posse das fibras ópticas do sistema de transmissão e distribuição de energia.
2) A rede de fibras ópticas é de propriedade das empresas do sistema Eletrobrás e foi operada pela massa falida da Eletronet mediante previsão contratual.
3) Para a retomada da posse, a Eletrobrás apresentou caução conforme determinação judicial proferida em junho de 2008.
4) A caução atenderá exclusivamente eventuais direitos de credores da Eletronet e não dos seus sócios.
5) A utilização que vier a ser dada à rede de fibras ópticas não beneficiará a massa falida da Eletronet, seus sócios, seus credores ou qualquer grupo empresarial privado.
6) A retomada desse patrimônio, por via judicial, não gerou direitos aos sócios da Eletronet ou qualquer outro grupo empresarial privado.
7) Eventual reativação da Telebrás não vai gerar receitas ou direitos de crédito para a massa falida da Eletronet, seus sócios, credores, ou qualquer grupo empresarial com interesses na referida massa falida.
Advocacia-Geral da União
Folha joga sujo para atacar plano de banda larga do governo e me atingir
Publicado em 23-Fev-2010
Fui surpreendido hoje com a manchete de 1ª página da Folha de S.Paulo (“Nova Telebrás beneficia cliente de Dirceu”), extraída da reportagem “Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás”, preparada sob encomenda para atingir dois objetivos:
1) atacar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) do governo federal;
2) levantar suspeitas sobre minha participação em uma disputa que corre na Justiça do Rio de Janeiro, entre os credores da empresa Eletronet, seus sócios privados e o governo, pelo controle do ativo de 16 mil km de fibras ópticas.
Uma disputa, repito, judicial, sobre a qual nem eu nem qualquer cidadão tem condições de interferir. Exista ou não o PNBL e a reorganização da Telebrás, os credores, os proprietários da Eletronet e o governo federal terão que responder pelos passivos e ativos da Eletronet. E cada um poderá ser prejudicado ou beneficiado.
Há que se lembrar que já existe liminar favorável ao governo, concedida pela Justiça do Rio determinando a reintegração de posse de parte dos ativos da Eletronet (as fibras “apagadas” ou não utilizadas atualmente) a empresas do grupo Eletrobrás. Logo, sugerir que minha atuação na consultoria que dei sobre rumos da economia na América Latina tenha algo a ver com uma possível decisão que não cabe ao governo, mas ao Poder Judiciário, é uma ilação descabida e irresponsável do jornal.
Ligar meu nome ao PNBL e a um suposto favorecimento de um dos proprietários da Eletronet apenas porque dei consultoria a ele é típico da Folha, que já vinha atacando o Plano com a teoria conspiratória de que o vazamento de informações privilegiadas sobre ele tem feito subir os preços das ações da Telebrás. O jornal já vinha insinuando que haveria cumplicidade de ONGs e mesmo de membros do governo.
Agora me acusa de estar por trás da criação da Telebrás e, pior, favorecendo uma empresa privada para a qual dei consultoria legal e registrada em contrato. Saí do governo há quase cinco anos. Não tenho impedimento para dar consultorias e não há nada que me ligue a qualquer intervenção ou ação do Executivo federal. Os responsáveis pela ação judicial e pelo PNBL são testemunhas de minha não participação ou intervenção na definição da política da União.
Como em todas as questões importantes do país, manifesto minha posição publicamente em meu blog ou na imprensa. A Folha esconde que meu primeiro comentário no blog é uma reprodução de um post de um site especializado e que o segundo é um artigo de opinião, que não contém nada de comprometedor. Mais do que isso, a Folha finge não entender que minhas opiniões manifestadas no blog e no artigo são contrárias aos interesses das empresas privadas envolvidas no caso Eletronet, e favoráveis à política do governo.
Lamento mais uma vez que meu nome seja envolvido em suspeições e reservo-me o direito de me defender e de não recuar de minha atuação, seja como advogado, seja como militante político.