segunda-feira, 14 de abril de 2025

Maldita hora

Maldita hora em que baixei minha guarda. Maldita hora em que esqueci que quando os interesses convergem, a amizade, a camaradagem, o coleguismo acabam. Maldita foi aquela hora em que esqueci de tudo o que passei. Esqueci de tudo o que já tinha aprendido. Esqueci quem não existem amigos no ambiente de trabalho. Esqueci que não existe camaradagem no ambiente coorporativo, fui juvenil ao esquecer que ninguém esta lá pela amizade, mas sim em busca do ganha pão do dia a dia. Eu mesmo estou lá pra isso. Pelo simples fato de que o capitalismo me obriga a ter que batalhar por um salário misero pra proporcionar o mínimo para meus filhos. Maldita hora em que esqueci de tudo isso. Hora desgraçada em que me empolguei, sorri e confiei. Maldita hora que ao invés de porcos e galinhas, criei expectativas. Talvez hoje eu tivesse omelete e bacon ao invés de decepção, angustia e ranço. Honestamente, não sei dizer quando foi essa hora exata, foi um processo que me engoliu, um processo que me fez soterrar minhas trincheiras, derrubar meus muros, e baixar minhas armas. Eu era muito mais feliz com a cara fechada, sorrindo pra quem merece, sorrindo para as pessoas que escolhi sorrir e não pela obrigação de trabalhar ao lado e ter que passar mais tempo com estas pessoas do que com a minha família. Maldita hora em que baixei minha guarda. Guarda foi feita para ficar alta, aprendi isso a duras custas nos treinos de karatê. Mas errei, baixei, e mais uma vez, quebrei a cara. Como se não fosse tarde demais, levanto novamente minha guarda. Ainda com o nariz sangrando, ainda não a alma machucada e ferido, muito mais pela minha própria ingenuidade do que pela ação dos outros, até porque, eu já sabia disso tudo, só fui juvenil, noob. Eu sempre fui um bom guardeiro, e agora, mais do que nunca, é hora de subir a guarda, ranger os dentes e seguir em frente, só que desta vez (espero), esta guarda, ninguém vai passar, NADA vai passar.

(ps: volto depois de muito tempo, com um simplório texto feito as pressas. Ninguém vai ler mesmo).