segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Hipocrisia Natalina

Para não ser rotulado de profeta do apocalipse, eu esperei 3 dias, aguardei 72 horas para descrever aquilo que considero o momento mais hipócrita de todos os 365 (ou 366) dias de um ano qualquer. O natal! O momento em que, depois de passar o ano inteiro ignorando o próximo, todo mundo fica misericordioso. É aquele dia em que os familiares, depois de terem ignorado sumariamento o primo, o irmão, o filho a mãe, voltam a ser familiares que se amam e que vivem harmoniosamente. E na ceia de natal que todos esquecemos todas as maldades, todos os momentos em que fomos corruptos, desonestos, ignorantes, mal caráteres, e nessa hora do ano que lembramos que temos irmão, primo, vizinho, mãe, pai e fingimos que somos família! Pra que? Pra que? Para que no dia 26, voltemos a ser a mesma merda que fomos o ano inteiro. Para que voltemos a ignorar todos aqueles que beijamos e perdoamos na hora da entrega dos presentes. Para que não façamos absolutamente nada para contribuir para que o ano novo do próximo seja insignificantemente melhor. Porque? Porque somos egoístas, somos ignorantes e mais um monte de coisa que, no Natal, deixamos de ser. Então, 3 dias depois. Após me assegurar de que tudo voltou ao normal, após me assegurar que todo mundo voltou a ser aquilo que é de verdade. É que eu, em um só paragrafo, sintetizo tudo o que penso e materializo de forma virtual e tão hipócrita quanto os meus sinceros votos de feliz natal!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Nada mais

Tento
Logo existo
Penso
No imprevisto
Sofro
As conseqüência
Dou as referências
Daquilo
Que plantei
Mereço
Sim, eu sei
Rimo
Porque qui-lo
Se fosse um bicho
Ignora-la-ia

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Frieza

Como é frio
Debaixo de um sol de 35° eu sinto frio
Do tipo congelante
Daqueles que partem
Cristalizam um corpo todo
E o quebram
Sinto-me perdoado
Minha falta de sensibilidade
Não é tão grande quanto eu pensava
É irrisória, minuscula
Insignificante
Como poeira ao vento
Como uma gota d'água no oceano
É essa a resposta
Represento isso
E parei no tempo
Congelado
Pasmo
Ignorado
Ignorante!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pensata Póstuma

Morreu! Como um mártir, como um herói de guerra sucumbiu de forma épica. Ignorado, deixado pra trás, pro lado, na frente, parado, ele não resistiu. Quem o carregava, como quem carrega o coração no peito, partiu. À 20, 40, 60 km por hora, negro, virou a primeira esquina e não olhou pra trás. Deu as costas e o deixou ali, jogado, esparramado, vendo e sendo visto por aquilo que lutava. Não se sabe se esse depoimento póstumo será lido por seu pai/mãe, criador/criadora, responsável, ou por aquilo que estava dentro do pote de ouro pelo qual lutava.
Teria sido ele fraco? Será que desistiu de forma prematura? Julgue aquele que se sentir no direito, julgue aquele que já se viu em cacos, abandonado pela ignorância alheia. Ele foi sim, bravo, persistente, chegou a colocar tudo aquilo que tem em jogo, quis tentar. Mas lutara por uma causa própria, sem apoio, sem ninguém. Guerreiro ele tentou, mas caiu fraco e de forma melancólica. Eu, como redator de suas memórias póstumas acho que ele deveria ter esperneado mais, deveria ter tentado mais, lutado, brigado, e falado mais. Mas da mesma forma como suas forças se esvaíram, seu cavalo foi embora. O cavalo que o carregava desistiu antes dele. Falou: "Aqui eu não fico, sou cavalo, sou um animal, sou irracional, mas não sou uma ameba! Tenho coração, tenho sentimentos, tenho auto-estima e orgulho. E isso? isso? isso? Eu quero muito isso, mas estou cansado e vou te deixar ai! Tenho ciência de que sem alguem para te carregar, não és anda, não passarás de recordações, de lembrança, de passado. Mas aquele pote de ouro, não te merece, e não irei consentir com isso. Adeus, bravo cavaleiro, adeus.". E cavalgou asfalto a fora.. rápido... com lágrimas nos olhos, com um vazio no peito, vazio daquilo que deixará pra trás.
Se surgirá outra perseverante criatura que pegará os cacos do que sobrou do bárbaro guerreiro, as juntará, e tentará conquistar o tesouro escondido por trás das fronteiras inimigas, não se sabe. Muito menos se este terá como princípios a verdade, a honestidade, o respeito e o amor. Não se sabe. Obviamente que rezaremos para que isso ocorra, mas já foge a nossa alçada. Porque aqui termina a nossa participação. Aqui termina a nossa empreitada. Por aqui deixo minhas condolências e meus sinceros votos de alegria, seja lá onde ele estiver. Que consigas reviver, que consigas novamente levantar e lutar. Mas por hora, aqui jaz um coração partido.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pensata Subliminar

Tá difícil
Não só pra olhar pra frente
Mas também pra fechar os olhos
Virar a cabeça
Abrir os olhos
A boca
O Same
Tá complicado
Não só raciocinar
Mas também discernir
Se concentrar
Tomar café
Almoçar
Tá árduo
Não só ir a biblioteca
Mas também pilotar
Navegar
Lanchar
E ir trabalhar
Tá muita coisa
Difícil
Complicado
Árduo
Como ninguém falou que seria fácil
Seguimos
Ora digerindo
Engolindo
Agonizando
Ignorando
Se é o melhor a se fazer
Só o tempo dirá
Por hora
Respiramos fundo
Olhamos para o alto
Como se fossemos cegos
Fato é
Que, Tá, foda!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pensata AbreviaTá!

Tá!
Ninguém disse que seria fácil
Mas também
Ninguém avisou que seria tão complicado
As pedras, os empecilhos, as circunstancias,
É.. Tá!
Eu não vou choramingar
Nem lamentar
Mas.. Tá!
Definitivamente, as coisas não caminham como prevemos
Elas não acontecem do jeito que almejamos
Sem cronologia alguma
É que.. Tá!
Sim, os valores, a moral
Tá bom, vou olhar pra frente e seguir
Sem olhar pra trás e ver,
Tá, eu não vou
Não olharei, não resmungarei,
Mas, Tá!
Tens razão
O que se fez, não tem volta
O que já se percorreu, o está
Percorrido?
Mas se eu,
Tá!
Aceitarei o destino
Andarei pra frente, sem pensar no que, Tá,
Apesar de que,
Tá, parei.. mas é que
Tá, ok, tudo bem..
Meu coração as vezes, Tá, ó..
É, não se tem argumentos
Contra a vida, não se pode navegar
Somente a favor, mesmo que surjam montanhas a frente
Desafios esplendorosos, eu não poderei tentar?
Tá, confiarei em ti
Seguirei por aqui, e por ti, ou sem tu?
Tá?
Não?
Por mim, e com o pai ao meu lado
Are you there, god?
Vai passar, tá?
Sempre passa
Tá, passou?
Tudo bem, já diria o Profº Girafales
Tá! Tá! Tá!
Por fim, sacramento!
Tá! Bom!
Cá ficarei
Por termo, sacramentarei
E, tá, parei!
Tá?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pensata efêmera

Colhe-se aquilo que se planta. A equação é simples, ação e reação, e a vida não tem compaixão ou dó, você não pode voltar atrás. Isso não significa que não devemos fazer aquilo que nos dá vontade, pelo contrário, é muito melhor se arrepender daquilo que se fez, do que daquilo que não se fez. Eu, tu, ele, nós somos todos insignificantes perto do todo, não passamos de formiguinhas operarias de uma gigantesco formigueiro chamado universo.
Os profetas do Kansas um dia disseram, não ao pé da letra, mas passaram a mensagem de que devemos agir, devemos fazer! Não tomar atitudes e simplesmente deixar as oportunidades passarem e sumirem ao vento é o primeiro passo para desenvolver um câncer em qualquer lugar que seja. Claro, antes de agonizar no leito do hospital, passará muitas horas agonizando por dentro, de angustia por ser fraco e não ter forças para lutar contra seus próprios dogmas e preceitos de razão, de verdade, de vida.
Mal sabemos que somos nós mesmo quem nos acorrentamos, somos nós mesmo quem preparamos nossa própria cova, traçamos o nosso próprio caminho das pedras e sobre espinhos, rochas pontiagudas e cacos, marchamos rumo a um pseudo-futuro cheio de alegrias e felicidades. Lá, já teremos esquecido tudo o que não tivemos coragem de fazer ou deixado de fazer. Lá, teremos uma felicidade efêmera, viveremos o momento achando que foi o melhor, que fizemos o melhor, que somos o melhor que pudemos construir. Lá, já teremos esquecido tudo, já seremos infelizes o suficiente para lembrar como é ser feliz.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Curitiba, curitibanos, curitibocas e curitibabacas

Outro dia fui tomado por um sentimento de nostalgia. Uma saudade da Curitiba que tanto sentia orgulho. Hoje, aquela cidade tão falada por todo o país e que sobre a qual eu enchia os pulmões para falar, hoje me envergonha. E quando digo que sinto vergonha desse atual aglomerado de pessoas administradas por uma ave de bico longo e amarelado não me refiro somente a estrutura, mas também a todas as criaturas e animais que caminham pelas calçadas, trafegam pelas ruas e habitam as casas. Animais estes que deveriam trocar de lugar com o leão, com a girafa e o hipopótamo do nosso belíssimo zoológico.

Nosso transporte coletivo continua modelo, não fosse os ligeirinhos lotados em horário de pico e a educação dinamarquesa dos bípedes que não esperam quem quer sair do ônibus para entrar, que não oferecem seu lugar para pessoas idosas, com crianças de colo e deficientes, Curitiba seria aquela. Não fossem esse lixo que anda em bando vindo, em geral dos bairros mais afastados, que se enche de cacarecos pelo corpo, toma o famoso tubão, liga músicas de péssimo gosto em altíssimo volume para que todos ouçam, pixa as janelas e paredes do coletivo, desfere palavrões e asneiras quaisquer, conhecido como mano ou vileiro, Curitiba seria a mesma. Quem sabe essas mães de proveta ensinassem bons valores para suas crias, como por exemplo, não jogar lixo no chão, respeitar o próximo, ser gentil e educado, talvez Curitiba fosse a mesma.

Quem dera que a minha querida cidade ainda fosse povoada por aquele famoso e frio povo curitibano. Quem dera que minha cidade ainda tivesse bons valores no peito de seus contribuintes, não fosse hoje um Simba Safári Paranaense. Hoje a capital do Paraná tem animais pelas ruas, criaturas de péssimos hábitos e de sanidade questionável, monstrons ignorantes, alienados, arrogantes, prepotentes e acima de tudo, mal educados. Eu tenho vergonha de Curitiba. Um povo que elege a 16 anos a mesma corja, e que não percebe que a cidade está estagnada a estes mesmo 16 anos. Que não cresceu, que ainda hoje colhe os frutos da boa administração do senhor que acabou posteriormente falindo o Banestado, não, é mais fácil erguer o narizinho sujo com o próprio tatu e olhar com desdém para o próximo.

Opa! Será que não estou sendo injusto com minha mãe gentil capital ecológica e cidade modelo? Desde o inicio desde simplório texto eu venho falando que tenho vergonha dela, quando nele só citei essa raça inescrupulosa que a está habitando. É verdade, estou errado, por isso, faço um voto para que os bons curitibocas, para todos os verdadeiros e saudosistas moradores da minha amada cidade se façam presentes e repovoem-a. Hoje somos animais em extinção, e em breve estaremos enjaulado entre a girafa e o hipopótamo para que a corja que hoje é maioria, ria orgulhosa, suja e fedendo dos nossos péssimos hábitos rudimentares. Um viva a Curitiba, a cidade que tanto me orgulhou que um dia eu ei de voltar a ama-la.